domingo, 12 de outubro de 2014

Battle Royale: Resenha, comentários e comparação com Jogos Vorazes

Terminei de ler um livro que estava desejando há muito tempo, desde que assisti ao filme: Battle Royale. (Por isso, creio que o texto será longo, passando pelo filme além do livro, comentários e a comparação ... Realmente me empolguei.)

Battle Royale, um livro que conta a história de uma realidade alternativa onde o Japão que conhecemos se tornou uma ditadura, conhecida como República da Grande Ásia Oriental.
E como forma de inspirar medo na população, foi criado o "Programa Battle Royale", que seleciona todos os anos uma turma de estudantes (que pensa estar indo para uma excursão), com em média 15 anos, para serem colocados em uma ilha e lutarem entre si até que apenas um sobreviva.


Achou parecido com Jogos Vorazes? Porém Jogos Vorazes foi lançado em 2008, e Battle Royale em 1999.
Geralmente não gosto desse tipo de comparação, porém acho que quem conhece Jogos Vorazes e gostaria de algo similar, porém mais pesado, devia conhecer Battle Royale (pois em BR, o derramamento de sangue é bem maior, tudo é descrito com detalhes, detalhes mesmo).
E também não me apetece usar a palavra "plágio", afinal a ideia dos JV pode ter sido tirada dos gladiadores e da experiência da guerra, como a própria autora mencionou.

Gosto das duas histórias, e após ter lido ambas, eu reitero que Jogos Vorazes é uma "versão light" (menos polêmica, mais comercializável) de Battle Royale. E a principal diferença entre os livros na minha opinião, pondo momentaneamente as semelhanças de lado, é que BR foca mais na vida dos estudantes, suas experiências e motivações, antes e durante o jogo. Tanto que os capítulos são por pontos de vista, tanto que vemos a mesma situação na ilha e as percepções diferentes de cada pessoa ou grupo (eu particularmente apreciei muito isso).
Já em Jogos Vorazes, é tudo pelo ponto de vista da Katniss.



Porém ainda, pesquisando outros textos antes de escrever o meu, para ver justamente do ponto de vista de outras pessoas, relembrei que Jogos Vorazes foca mais na revolução, principalmente no terceiro livro, enquanto vemos menos disso em Battle Royale. (E justamente eu li duas vezes os dois primeiros livros, enquanto o terceiro eu li apenas uma.)


E antes de adentrar mais ainda na história (sem spoilers, claro!), passando pelos comentários que prometi, eu digo como conheci a história: Através de Kill Bill.
Que além de BR ser um dos filmes favoritos do Quentin Tarantino, a atriz que faz a Gogo Yubari em Kill Bill, Chiaki Kuriyama, faz também a estudante/combatente Takako Chigusa (e lembro de ter lido em algum lugar que ele a chamou porque a viu em Battle).

Gostei muito da Takako no filme, e tive dúvida se era pela personagem por si só ou por já conhecer a atriz de outros filmes, o que faz com frequentemente eu goste do personagem. Porém, não. Li o livro e o gosto só aumentou, é pela personagem em si, então.


E, detalhando mais, o número de estudantes selecionados para o programa é 42. Quarenta e dois estudantes que já se conhecem, e muitos sendo amigos... Isso torna a situação mais difícil ainda, né?
E o próprio livro te dá spoiler, digamos assim. Pois no final de cada capítulo, em negrito, existe uma contagem. Começando com [RESTAM 42 ESTUDANTES]  e diminuindo, gradativamente ou abruptamente o número de estudantes a cada capítulo (Há capítulos nos quais ninguém sai do jogo, e nesses você até se surpreende). Na foto, eu já estava em [RESTAM 24 ESTUDANTES], então, mais ou menos metade do livro... E eu lia tentando contar como números, pois se você for ver o tempo todo como estudantes, cada um com suas particularidades e outros aspectos, não vai conseguir ler... (Às vezes eu ficava abalada com alguém "saindo do jogo" e fechava o livro pra "tomar um fôlego".)

"Mas não há como escapar?"
Esq à dir.: Shogo Kawada, Shuya Nanahara e Noriko Nagakawa.

...Complicado. Claro que haveria um dispositivo de controle e localização, mas diferente do rastreador injetado no braço de Jogos Vorazes, eles usam uma coleira. Coleira essa que monitora as localizações e se estão vivos. E explode se tentarem tirá-la ou entrarem em um quadrante proibido.
(Essa coleira que parece um relógio digital, mas não mostra as horas. Às vezes quando uso relógio eu lembro dela, hehe.)

E na parte de dentro da capa do livro, vem um mapa, igual ao que os personagens recebem pra não entrarem nos tais quadrantes. O professor que organiza o jogo anuncia num alto falante, de 6 em 6h, quais estudantes morreram e quais serão os quadrantes proibidos a partir de determinada hora. (Sim, é sinistro, hahaha. Tive que marcar o meu mapa, não deu pra resistir.)

Mitsuko Soma (ou subtrai. Hahaha)
E além do mapa, recebem uma mochila com um kit de sobrevivência, que contém duas garrafas de água, pão e uma arma, podendo ser desde uma metralhadora até um garfo. No filme é dito que os jogadores mais cotados recebem as piores armas, mas no livro diz que é aleatório.
Por isso, mencionando JV novamente, não existe Cornucópia. Eles são liberados seguindo os números de chamada, com dois minutos de diferença. Primeiro garota, depois garoto, nessa ordem.

Kazuo Kiriyama

 Mas não esquecendo, que além da violência, fala-se muito sobre democracia (principalmente no livro, o filme focou mais nas lutas mesmo), a importância dela. E os perfis dos jogadores, que citei anteriormente. Acho que um grande número de possibilidades foi explorado: Os que querem apenas sobreviver, não se importando com ninguém além de si mesmos, os que querem proteger os amigos/namoradas, os que querem desafiar o governo, os que não participarão do jogo de forma alguma, os que só participarão se forem atacados... Deve-se confiar em alguém?

Marcações com post-it que eu fiz no livro...

Enfim, Battle é uma excelente história pra quem curte o gênero (e tem bom estômago, ou já é fã do Tarantino...). Só acho que deveriam valer apenas as armas brancas, como em JV, afinal quem pega as de fogo já está em grande vantagem... ("Tá de hack" :p).

E pra finalizar mesmo, uma frase do livro: ""Não se preocupe com o que não depende de você. Faça o que estiver ao seu alcance, mesmo que a possibilidade de sucesso seja inferior a 1%."
Espero que tenham gostado, e até o próximo post! 










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